domingo, 27 de maio de 2012

4 - A apresentação


A apresentação dos alunos de Karina foi linda. As pessoas presentes exultaram de alegria e satisfação por tamanha beleza e sensação de paz e plenitude. Por fim, após tantos pedidos, Karina cedeu e nos presenteou com uma linda canção de sua terra natal. Ainda que nada entendêssemos daquela língua que nos é tão distante, pudemos sentir em nossos corações e almas a força e o calor de suas palavras. Sua música nos encheu de uma energia tão revigorante, que era como se tivéssemos sido ligados na tomada. Ao mesmo tempo em que nos permitiu um relaxamento que nos fez pensar que tivéssemos passado por um banho nas águas termais de Santo Amaro da Imperatriz. Sua voz é cristalina, aveludada, sua interpretação tocante e sua composição, ainda que não entendamos, é facilmente compreendida por nossos corações e, no fim, isto é que importa. Ela conseguiu mais uma vez. Ela foi ovacionada. Saímos de lá emocionados com esta amiga tão talentosa e tão zelosa para que outros tenham as mesmas possibilidades de cantar como ela teve. Fomos comemorar.
-Mãezinha estou com fome, faz sopa?
-Vamos fazer um risoto, pode ser?
-Pode sim mãezinha! Adoro risoto.
Passamos a cozinha. Maria Padilha já estava com os queijos cortados, creme de leite fresco, manteiga, manjericão roxo, tomilho, alecrim, nossa... Que perfume maravilhoso.
Risotos podem ser feitos com 4 tipos de arroz: Arbório, Carnaroli, Roma e Vialone Nano. Eles têm mais amido que os outros e tornam o molho/caldo mais cremoso. Risoto significa sopa enxuta e é tradição dos italianos do norte. Como minha família vem de Mantova/ Mantoa, acabei por me apaixonar por este prato.
Para cada xícara de arroz, três de água. Esta água deverá ser utilizada para fazer um caldo, que deve ser acrescentado de quando em quando, já que o risoto italiano deve ser mexido durante seu preparo para liberar amido aos poucos. Neste caldo colocamos pimentão verde, sem sementes; cebola com uma folhinha de louro presa por dois cravos; cenoura e folhas de alho poró.
Picamos alho poró, alho e cebola em brunoise, e os levamos para saltear, colocamos o arroz e cachaça de São Pedro de Alcântara até cobrir o arroz. E nos colocamos a mexer. A esta altura Pedrinho já tinha pedido bolo de morango, de banana, coxinha de galinha, pão de trigo com presunto e queijo e uma infinidade de outras comidas. Ficou um tanto emburrado por termos lhe dito que iria esperar o risoto ficar pronto até que viu uma aranha e saiu correndo para brincar com ela. Nem tenho dúvidas que a aranha detestou a companhia.
Enquanto isto, o risoto fica pronto em cerca de 25 minutos, íamos conversando sobre a apresentação. Karina ficou tão emocionada que já estava vermelha de tanto chorar. Roberto que não é de beber apareceu com garrafas de espumante Terranova para brindarmos. Creio que Karina deva ter bebido muito rápido, pois sua língua que já é enrolada ficou ainda mais, fazendo com que Pedrinho risse muito dela, obviamente escondido. Ao término do preparo do risoto acrescentamos três tipos de queijo, fica sempre a critério de quem vai fazer e do que localizamos na geladeira, afinal, tudo deve ser reaproveitado. Colocamos também um pouco do creme de leite/ nata e cobrimos a panela por uns três minutos ou até que Pedrinho reclame, o que pode levar um minuto. Ralamos em cada prato um pouco de queijo grana padano, delícia! Karina estava nas nuvens, de emoção e das tulipas de espumante. Ela, justo ela, que nunca se permitia extravasar nenhum sentimento. Ficamos felizes, muito felizes pela Karina, e no íntimo, por nós, afinal de contas o show mexeu com todos e no fim nossos corações ficaram mais leves e felizes.

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