A apresentação dos alunos de Karina
foi linda. As pessoas presentes exultaram de alegria e satisfação por tamanha
beleza e sensação de paz e plenitude. Por fim, após tantos pedidos, Karina
cedeu e nos presenteou com uma linda canção de sua terra natal. Ainda que nada
entendêssemos daquela língua que nos é tão distante, pudemos sentir em nossos
corações e almas a força e o calor de suas palavras. Sua música nos encheu de
uma energia tão revigorante, que era como se tivéssemos sido ligados na tomada.
Ao mesmo tempo em que nos permitiu um relaxamento que nos fez pensar que
tivéssemos passado por um banho nas águas termais de Santo Amaro da Imperatriz.
Sua voz é cristalina, aveludada, sua interpretação tocante e sua composição,
ainda que não entendamos, é facilmente compreendida por nossos corações e, no
fim, isto é que importa. Ela conseguiu mais uma vez. Ela foi ovacionada. Saímos
de lá emocionados com esta amiga tão talentosa e tão zelosa para que outros
tenham as mesmas possibilidades de cantar como ela teve. Fomos comemorar.
-Mãezinha estou com fome, faz sopa?
-Vamos fazer um risoto, pode ser?
-Pode sim mãezinha! Adoro risoto.
Passamos a cozinha. Maria Padilha já
estava com os queijos cortados, creme de leite fresco, manteiga, manjericão
roxo, tomilho, alecrim, nossa... Que perfume maravilhoso.
Risotos podem ser feitos com 4 tipos
de arroz: Arbório, Carnaroli, Roma e Vialone Nano. Eles têm mais amido que os
outros e tornam o molho/caldo mais cremoso. Risoto significa sopa enxuta e é
tradição dos italianos do norte. Como minha família vem de Mantova/ Mantoa,
acabei por me apaixonar por este prato.
Para cada xícara de arroz, três de
água. Esta água deverá ser utilizada para fazer um caldo, que deve ser
acrescentado de quando em quando, já que o risoto italiano deve ser mexido
durante seu preparo para liberar amido aos poucos. Neste caldo colocamos
pimentão verde, sem sementes; cebola com uma folhinha de louro presa por dois
cravos; cenoura e folhas de alho poró.
Picamos alho poró, alho e cebola em brunoise, e os levamos para saltear,
colocamos o arroz e cachaça de São Pedro de Alcântara até cobrir o arroz. E nos
colocamos a mexer. A esta altura Pedrinho já tinha pedido bolo de morango, de
banana, coxinha de galinha, pão de trigo com presunto e queijo e uma infinidade
de outras comidas. Ficou um tanto emburrado por termos lhe dito que iria
esperar o risoto ficar pronto até que viu uma aranha e saiu correndo para
brincar com ela. Nem tenho dúvidas que a aranha detestou a companhia.
Enquanto isto, o risoto fica pronto em
cerca de 25 minutos, íamos conversando sobre a apresentação. Karina ficou tão
emocionada que já estava vermelha de tanto chorar. Roberto que não é de beber
apareceu com garrafas de espumante Terranova
para brindarmos. Creio que Karina deva ter bebido muito rápido, pois sua língua
que já é enrolada ficou ainda mais, fazendo com que Pedrinho risse muito dela,
obviamente escondido. Ao término do preparo do risoto acrescentamos três tipos
de queijo, fica sempre a critério de quem vai fazer e do que localizamos na
geladeira, afinal, tudo deve ser reaproveitado. Colocamos também um pouco do
creme de leite/ nata e cobrimos a panela por uns três minutos ou até que
Pedrinho reclame, o que pode levar um minuto. Ralamos em cada prato um pouco de
queijo grana padano, delícia! Karina
estava nas nuvens, de emoção e das tulipas de espumante. Ela, justo ela, que
nunca se permitia extravasar nenhum sentimento. Ficamos felizes, muito felizes
pela Karina, e no íntimo, por nós, afinal de contas o show mexeu com todos e no
fim nossos corações ficaram mais leves e felizes.
Nenhum comentário:
Postar um comentário