quarta-feira, 30 de maio de 2012

7 - A ausência


-Mãezinha, mãezinha... Ele corre ao meu encontro com suas bochechas rosadas, os cabelos ainda molhados de suor.
-Que saudade mãezinha, onde tu estavas?
Eu e Calatriel estávamos fora em uma importante reunião.
Agora nós temos que nos encontrar com o Pai Oma. Brinques mais um pouco que depois vamos jantar.
Pai Oma vem depressa ao nosso encontro. Passamos apressados ao salão do cristal. Calatriel lhe informa que sofremos um violento ataque psíquico, mas de quem e por que ainda não sabemos. Pai Oma já sabia e nos contou. E nos disse que já devíamos estar acostumados, afinal, como trabalhadores da luz seremos sempre atacados pelos seres que não querem que nosso trabalho se realize. Reajo quase que violentamente. Afinal, cadê a nossa proteção? E a Divina Providência? Ele, com sua calma habitual, nos diz que esta missão foi uma escolha de nossa alma e que a Providência está sim de olho. Tanto que neste momento em que estamos trabalhando aqui, há seres estelares providenciando, inclusive em outras dimensões, o aumento do nível vibracional da Terra e o escudamento dos trabalhadores da luz. Fizemos um grande trabalho de limpeza. Usamos os conhecimentos de Pai Oma e dos nossos para a limpeza e para impedir que tais energias pudessem comprometer nossos projetos. Mas confesso, de tão difícil que é levar uma vida “normal” tendo tamanha responsabilidade, que muitas vezes a vontade de desistir sobrevém à vontade de realizar. Por fim Pai Oma nos disse que com o tempo tais situações nem nos afetarão, é uma questão de colocarmos atenção aos acontecimentos. Fizemos questão de lhe lembrar, como se ele tivesse culpa, que nos últimos anos sofremos vários ataques mágicos, rituais de avultamento – no candomblé se diz queimação, fomos recolhendo obsessores – por nós carinhosamente apelidados de OBs, sem contar os ataques psíquicos. Ele, sem perder a calma, nos disse, é, quando nossa alma tem dificuldade em se adequar ao físico, a se lembrar de sua missão ou a se colocar diante dos fatos, acabamos por sofrer eventos que nos tragam de volta ao nosso caminho. É o famoso aprender pela ‘dor’, que creio ser profundamente desagradável, sempre preferi aprender pelo amor.  Como estamos nos adaptando com este trabalho há pouco tempo, ainda somos pegos de surpresa com muitas situações. Indo para a sala de jantar nos pegamos rindo e pensando que, se outros pudessem nos ouvir, teriam certeza de que somos loucos. Imagine se alguém nos ouvisse no supermercado:
-Diana, senti uma fisgada no meu pescoço do lado direito. É um OB.
-Espera que eu já retiro com a chama violeta.
No mínimo seríamos olhados com estranheza, afinal, um homem usando OB. Com toda certeza pensariam que teríamos usado alguma substância ilícita. Problema seria se alguém pedisse um pouco.

Um comentário:

  1. Achei ótimo e intrigante...
    Só tenho duas dúvidas 1- Como você fará as conexões entre os textos, no livro? Aqui você menciona texto 1,2,3... E no livro? Serão capítulos tão breves?

    Dúvida 2- A sigla OB pra gente é bem engraçada! Fico pensando como uma terceira pessoa, que não tenha qualquer contato conosco ou uma criança interpretaria... Pensaria em absorventes femininos?

    ResponderExcluir