terça-feira, 29 de maio de 2012

6 - Os Amigos


-Não, não e não.
-Pedrinho meu amor a mamãe precisa saber o porquê desta choradeira toda.
-Eu já disse que não falo.
Ouço passos largos e apressados, era Karina. Já pude imaginar do que se tratava. Devia ser algum ‘amigo’ do Pedrinho.
-Aconteceu alguma coisa Karina? Perguntei já sobressaltada.
-Ah, foi o menino com um novo ‘amigo’, ou ‘monstro’, como queirrrrrra.
-Era meu amigo sim, e vocês nunca me deixam ficar muito tempo com eles. Saindo emburrado. Voltou em seguida no encalço de uma copeira que trazia suco de ameixa com hortelã e bolinhos de cenoura com cobertura de chocolate.
-Errrra uma tarrrântula, disse Karina.
Tentei não esboçar tanto horror na minha fala e limitei a dizer a Pedrinho:
-Meu amor é perigoso.
-Mas mãezinha eu J U R O que não ia machucá-la.
Ficamos incrédulas, eu e Karina...
Respirei fundo, dei-lhe um abraço e um beijo e disse:
-Meu amor a mamãe fica preocupada é contigo!
-Crrrrrrrrrrrrrrrrrrianças, sai bufando Karina.
Ele era assim. Gostava de animais exóticos e os chamava a todos de ‘amigos’. Quem éramos nós para dizer que não podiam ser? Aos olhos das pessoas normais eram até criaturas assustadoras, para ele, eram lindos. O que concluímos por este seu gosto é que, no fim, quem tinha medo eram os animais, que acabavam sempre por fugir do Pedrinho.

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